ki aikido abiraxis
SOBRE O KI, A MENTE E A FORÇA FÍSICA
Certamente,
como o sistema num todo, pensado por Doshin So nos seus aspectos de
Shorinji Kempo e Kongo Zen, a força trino não se resume unicamente ao
aspecto marcial (Bu) do Shorinji Kempo, mas pode ser facilmente aplicado
nas mais diversas nuances da convivência social na busca de uma vida
harmônica no Caminho (Do) da plenitude.
Cada
um destes três aspectos da força, por si só, dariam conteúdo suficiente
para muitos textos, tão vasta e complexa pode ser a sua abordagem, indo
da física à psicologia e a filosofia. Contudo, neste breve texto
manteremos o foco tão somente no aspecto marcial, mesmo assim tendo a
consciência de estarmos longe de esgotar o assunto.
A unidade da força mental, física e do Ki
Quando
pensamos em força, naturalmente nos vem à mente tão somente a força
física. Contudo, esta, por si só, não é suficiente num sistema marcial. É
preciso, então, desdobrar a questão força nas suas nuances para que possamos melhor compreender sua complexidade.
A
força mental nos provém à percepção das movimentações de ataque e
defesa. Se estivermos com a mente tranquila, durante um momento de
defesa pessoal, a mente será capaz de perceber um movimento de ataque em
nossa direção, de modo a poder agir defensivamente. Para se executar
corretamente o Ma’ai temos que ter o conhecimento das técnicas e isso faz parte da nossa capacidade mental de reter e assimilar estas técnicas.
Entretanto, ao termos a percepção das movimentações de ataque e defesa, precisamos do trabalho do corpo (tai)
para aplicarmos a técnica. Ora, para isso o corpo físico deve estar bem
preparado, saudável, apto a realização correta da técnica. Assim, temos
mente e corpo trabalhando em conjunto.
Assim,
num momento de defesa pessoal, precisaríamos da força mental que
percebe a movimentação e detém o conhecimento, da força física para
aplicar o movimento de defesa e contra-ataque e a força interna para
realizar a ação, tudo num só aspecto, atrelando mente, força física e ki
num único movimento de união da mente e do corpo (shin shin ichinyo).
Dentro destes aspectos e já pensando na integralidade trino destas forças, o Tokuhon ainda nos fala de happo moku, kan, heijoshin e zanshin.
Happo moku seria
o uso dos olhos durante o embate físico. Através dos olhos podemos
perceber as intenções do oponente. Desta feita, o Shorinji Kempo
enfatiza a importância de se olhar o perímetro sem mudança de olhar. Ou
seja, ser capaz de ler os movimentos dos oponentes e os locais corretos
de contato sem desviar o olhar.
Outro aspecto é o Kan ou intuição. Durante os treinamentos de Randori
fica evidente o quanto o momento de defesa e contra-ataque é fugidio. A
decisão tem que ocorrer num átimo. Não há tempo para raciocinar,
ponderar e descobrir qual é a melhor defesa ou ataque. Desta forma, a
intuição, como um aspecto instintivo do momento, torna-se fundamental.
Por fim, temos o Zanshin,
ou seja, a capacidade de manter a mente em vigilância resoluta. Falando
no aspecto marcial, digamos que imobilizemos um agressor. Embora
estando no controle momentâneo, tem que se estar atento para um revés
num momento de desatenção. Como uma cobra em total ausência de
movimentos um pouco antes de dar o bote, o oponente pode estar fingindo
uma rendição para logo voltar a atacar. Por isso é importante estar
empenhado física e mentalmente numa vigilância absoluta.
Observando todos estes aspectos compreendemos a importância do equilíbrio entre mente, força física e Ki no desenvolvimento do Kenshi, seja no aspecto marcial, mas também na própria vida.
