segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Lições do Aikidô








Em vez de cair matando, use os princípios de uma arte marcial pacífica para orientar sua vida profissional

Por  Juliana Nogueira
Não é de hoje que os gurus de gestão fazem associações entre artes marciais e desenvolvimento profissional. Mas o aikidô não é apenas mais uma arte marcial pródiga em gerar frases feitas para best-sellers de negócios e para o circuito de palestras. É único em muitos sentidos. Para começo de conversa, o aikidô dispensa socos, pontapés, golpes agressivos. É sobretudo uma arte pacífica de defesa — mostra como usar a força dos oponentes para imobilizá-los. Assim, num péssimo dia no escritório, quando alguém da sua equipe tentar puxar o seu tapete, não estoure, não pragueje, não exploda. Fique frio. E entre na onda do aikidô: simplesmente desvie-se do ataque.
Não é fácil, não é? É preciso treino. “A pessoa tenta uma vez, não consegue, volta, tenta de novo. Com o tempo, passa a ser uma coisa normal”, diz José Roberto Bueno, professor do Aikidô Harmonia. A idéia é não causar mal a si próprio nem a ninguém, e tocar a carreira harmoniosamente. O aikidô estimula as pessoas a explorar espaços ainda não ocupados, não a expulsar ninguém das áreas já tomadas. Inteligente, não? “O pulo do gato para o executivo hoje é se preparar como pessoa e concentrar-se em ser alguém melhor. Porque o preparo técnico é muito fácil adquirir. O que faz diferença é como usar esse conhecimento e isso cabe às emoções”, diz Fátima Zorzato, presidente da Russell Reynolds no Brasil, consultoria de busca de executivos.
Aprender a cair é um dos grandes ensinamentos do aikidô. Não só para se machucar menos, mas para levantar rápido. À medida que o indivíduo desprende-se da necessidade de ter razão, de ter que ganhar, a frustração da derrota se torna menor. E consequentemente, diminui o medo de encarar novas batalhas. “Se a pessoa entra com medo, as chances de ganhar são ínfimas, mas se ela está íntegra em uma decisão, vencer pouco importa. Além disso, a recomposição é mais rápida — ninguém vai culpar o juiz, a bola, porque é redonda, o campo, porque não está bom. Perdeu porque perdeu”, afirma Gerson Correia, diretor da Talent Solution. Ele afirma que, nos serviços de outplacement, ou recolocação no mercado, as pessoas que conseguem emprego mais rápido são justamente as que têm capacidade de superar mais rápido as adversidades.
ONDE TUDO COMEÇOU
O aikidô nasceu no Japão. Foi lá, após os horrores da 2ª Guerra, que Morihei Ueshiba, um exímio lutador, revoltou-se com os efeitos da briga pela supremacia no mundo e preferiu seguir outro caminho. Embora tenha sido criado para ser um vencedor, ele resolveu empregar seus conhecimentos de artes marciais em uma luta que buscasse o desprendimento dos valores pregados até então. Assim nasceu a filosofia do aikidô, uma luta que preza o espírito de preservação de ambas as partes. Os filmes estrelados pelo ator americano Steven Seagal ajudaram a popularizar o aikidô em todo o mundo. Ele chegou a morar no Japão durante vários anos para aperfeiçoar seus treinos nessa arte marcial.

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